Fruto de Um Desejo!
  

Quando tinha 13 anos e cursava a sétima série, conheci Samantha. No começo achei que tudo não passaria de uma amizade de escola, mas fomos mais do que simples colegas uma para a outra. Vivemos e aprendemos tudo que tinhamos direito...

Estudávamos em uma escola particular - GRONWIDE - e foi nesta que parte dos meus pesadelos se tornaram reais, o nome de um deles era Rejane, a pior professora da minha vida, fez dela um inferno.

Lembro-me de minha primeira aula com ela. Entrou na sala de aula toda imponente, com passos curtos e um terrível ar de perua. Cabelos tingidos de um vermelho escuro e um perfume importado esplêndido. Suas roupas sempre muito justas.

Na hora da chamada, ao chegar no meu nome, ouvi do nada uma eletrizante gargalhada e logo após o maldoso comentário:

 - QUE ANIMAL SE CHAMA "LARÁPIA"?

Levantei a mão envergonhada.

 - LEVANTE-SE!!! - Gritou bruscamente.

Levantei-me e percebi seu olhar inquisidor passar por todo o meu corpo.

 - MENOS 1 PONTO!

 - Porque professora? - perguntei assustada.

 - ME DESRESPEITOU... SENTE-SE!

 - Mas...

 - MAS NADA! CALADA! -

Sentei e fiquei calada o resto da aula, traumatizada com o modo absurdo que aquela mulherzinha tratou um acontecimento tão simples e bobo. Samantha veio conversar comigo tentando explicar, foi ai que nos conhecemos. Ela me disse que a professora era sempre assim e ninguém nunca tomava providências.

Prometi a mim mesma que isso não ficaria barato.

À noite, deitada em minha cama demorei a dormir, pensando no que poderia fazer. Quando cai no sono, sonhei que caminhava por uma trilha ladrilhada de espinhos, com os pés descalços andava calmamente sem perceber que eles sangravam sem parar e a carne aos poucos ia ficando dilacerada. No fim da estrada, havia um homem, de roupas brancas, não conseguia ver seu rosto, apenas sua boca, que sussurava algo, era visível. Corri em sua direção e quando me aproximei perto o bastante para ouvir o que falava, um buraco se abriu e cai repentinamente. O homem lá do alto, gritava apoiado nas extremidades da cratera:

 - TENTEI TE AVISAR... TENTEI TE AVISAR...

Como que instantaneamente ele sumiu, comecei a gritar e chorar, mas o único som que saia de minha boca era uma ruído seco e abafado...

Acordei, assustada, levantei e fui até a cozinha beber um copo d'água. Voltei para a cama e cai no mais profundo sono, totalmente entregue à exaustão que invadia meu corpo.



Escrito por Larápia May às 15h35
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Desde os meus 4 anos sempre perguntei à minha mãe onde estava meu pai, e ela desconfiada sempre me dizia que no tempo certo eu iria ficar sabendo.

Quando tinha 12 anos, alguns meses após a morte do meu irmão, descobri sem querer enquanto mexia nas coisas da minha mãe, um cartão, li coisas que não acreditei ser verdade. Após aquele dia fiquei curiosa em saber onde minha mãe trabalhava, que inclusive até o presente momento era um mistério para mim.

Ah! Se hoje eu pudesse voltar no tempo e evitar ter achado aquele cartão...

Quem sabe hoje não seria quem sou. Quem sabe pra mim meu pai teria sido apenas um mistério. Mas a curiosidade, mal do ser humano, falou mais alto dentro de mim... 



Escrito por Larápia May às 17h04
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Na minha infância fui uma menina magra, baixa e aparentemente feliz.

Minha vida era um inferno, desde cedo aprendi o que é a vida. Os problemas em casa eram muitos, fora dela eram piores.

Descobri o árduo significado da palavra "preconceito" aos 9 anos, quando cursava a quarta série e meu nome e eu éramos motivo de piada.

A única pessoa que me entendia era meu irmão, me dava forças quando eu precisava e me ajudava em tudo, meu único medo na época era perdê-lo e isso aconteceu, mas de uma forma inesperada. Cheguei  a descobrir toda a verdade em seu leito de morte quando mais nada podia ser feito.

Descobri que ele era adotado e que era portador de um vírus sem cura: O HIV. Nada disso mudou o que eu sintia e o que pensava pelo meu irmão, ele sempre estará guardado com todo carinho em meu coração.

Nunca esquecerei os momentos que juntos passamos, das alegrias que compartilhamos e das palavras de conforto e amor...



Escrito por Larápia May às 16h45
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Oi, Meu nome é Larápia May.

Contarei aqui a minha triste história... Mas antes peço algo: Não sintam pena de mim, não sou alguém digna de suas lágrimas ou sentimentos. Peço que me odeie, mais que tudo, me odeie, quem sabe assim eu me sinta melhor.

Nos próximos posts contarei por estapas a minha vida.

See You!



Escrito por L. Dundine May às 18h56
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